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Alergia

Por que minha cachorra é tão alérgica?

Por Dra. Christiane Diezel

Desvendando a Atopia (alergia de pele) – Parte 1

Tenho uma Golden que desde os 3 meses apresenta alergia. Já a levei há vários veterinários e foram feitos exames. Constatou-se, então, que a Layca tem alergia atópica. Hoje, já sei como usar o prednisona, as dosagens quando a alergia se manifesta. Para manter minha cachorra sem coceira estou dando todos os dia 5mg de prednisona. Gostaria de saber se essa baixa dosagem faz mal a ela?

Rosangela

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Hoje, é cada vez mais comuns nossos amigos peludos precisarem de atendimento especializado por conta de problemas de pele como feridinhas, coceiras, parasitas, sensibilidade alimentar, alergia a produtos de limpeza ou itens usados na higiene dos pelos, alergias a ácaro, poeira, pólen e a tão temida Atopia. Mas o que é ATOPIA?

 

Trata-se de uma doença de pele que, alguns autores e colegas, acreditam ser de caráter genético e inflamatório, na qual o paciente torna-se sensibilizado a antígenos ambientais, tendo a formação de anticorpos do tipo IgE, que causa o problema “alérgico” e com muita coceira, o que chamamos em termos médicos de prurido.

 

Algumas raças são mais predispostas a desenvolverem a dermatite atópica, como Shar Pei, West Highland White Terrier (cão do comercial da IG), Scoth Terrier, Lhasa Apso, Shih Tzu, Fox Terrier de Pelo Duro, Dálmata, Pug, Setter Irlandês, Boston Terrier, Golden Retriever, Boxer, Setter Inglês, Labrador, Schnauzer Miniatura, Pastor Belga e Buldog Inglês. Outras raças são citadas com menor frequência, como o Pastor Alemão, Cocker Spaniel, Dachshund, Doberman e Poodle Gigante. Porém, também pode acometer cães mestiços. Ou seja, nossos queridos e fofos “vira-latas”.

 

Em relação à predisposição sexual, alguns autores relatam incidência maior em fêmeas e outros descrevem maior manifestação em machos, ou seja, há uma grande divergência! A idade em que os sinais clínicos se iniciam varia de seis meses a sete anos, mas grande parte dos cães desenvolvem o problema entre 1 e 3 anos de idade. Raças como Shar Peis, Akitas e Golden Retrievers podem ocasionalmente apresentar atopia antes dos 6 meses de idade.

 

cao-doente-620x290As diferenças regionais dos alérgenos em decorrência dos tipos de fauna e flora e o estilo de vida de cada animal é algo bem importante a ser considerado. Acredita-se que os cães geneticamente predispostos absorvem por via percutânea, ou seja, pela pele, inalam ou ingerem diversos alérgenos. Em relação à absorção pela pele, alguns autores citam que há um aumento na penetração dos antígenos, devido a uma disfunção da barreira lipídica epiderme. Traduzindo: vamos pensar na nossa pele como sendo uma parede, onde os tijolos são as camadas da pele e o cimento que mantém esses tijolos unidos são a camada ou barreira lipídica. Nos cães atópicos, essa camada lipídica é insuficiente, o que facilita a passagem de alguns agentes causadores de alergia, como bactérias, fungos, ácaros e etc. Não há a necessidade de contato prévio com alguma substância ou material que possa causar essa alergia, ou seja, cães podem desenvolver o problema em apenas um episódio de contato com o alérgeno.

 

Devido ao seu caráter genético, esta é uma doença que, na maioria das vezes, não tem cura, apenas controle. O tratamento, em geral, é vitalício. Assim, algumas drogas utilizadas, a exemplo dos corticosteroides, podem causar efeitos colaterais que, a longo prazo, são capazes de diminuir o período de vida do animal. Desta maneira, o proprietário do cão portador de atopia, precisa ser esclarecido em relação às complicações e provável recidiva dos sinais clínicos, durante o período de tratamento.

 

O sinal clínico inicial da dermatite atópica é a coceira em áreas sem lesão visível ou com manchas avermelhadas que podem ser localizadas ou espalhadas por todo o corpo. Ocorrem principalmente na face, orelhas, patas, axilas e barriga.
Por causa da coceira, podemos observar também lambedura das patas, atrito da face contra o chão, lesões nas axilas, e etc.
Essa coceira contribui para o desenvolvimento de infecções bacterianas que são secundárias as lesões causadas pelo atrito das unhas contra a pele e podem causar perda de pelo local ou espalhada pelo corpo do animal, feridas com pus, manchas avermelhadas, inchaço, escurecimento da pele; e, em animais de pelo claro podem ocorrer manchas avermelhadas no pelo devido às lambeduras excessivas.

 

O diagnóstico é feito somente pelo médico veterinário, que vai iniciar o protocolo de diagnóstico que se adequa às necessidades do seu paciente. Em geral, o plano diagnóstico inicia-se com uma boa anamnese, ou seja, o médico veterinário fará uma série de perguntas referentes a alimentação, tipo e estilo de vida, controle de parasitas, se já foram feitos tratamentos antes, se houve sucesso… Logo, é necessário estabelecer os possíveis diagnósticos diferenciais, baseados no histórico e sinais que o animal apresenta.

 

O diagnóstico definitivo da dermatite atópica, geralmente, não é dado na primeira consulta! Realizar exames como o raspado cutâneo e micológico são muito importantes para qualquer paciente com problemas dermatológicos, salvo exceções como, por exemplo, câncer de pele.

Num segundo momento, devemos fazer a dieta de exclusão para descartar que o problema do animal seja de origem alimentar, podemos realizar uma triagem terapêutica com uso, por exemplo, de Anti-histamínicos, corticoides ou outros supressores do sistema imunológico para confirmar ou excluir alguns dos diagnósticos diferenciais. Podemos obter amostras da superfície da pele em mais de um local acometido por meio de “imprint”, para realização de exame citológico. Fazer cultura bacteriana se houver uma resposta inapropriada ao uso de antibióticos… Ou seja, é um diagnóstico complexo de ser dado! A detecção dos alérgenos envolvidos no quadro pode ser feita com o teste intradérmico e testes alérgicos in vitro ou sorológicos.

 


Veterinária

Christiane Diezel
Médica Veterinária
CRMV SP 29923

chris_vet@yahoo.com.br (este e-mail é para os interessados em agendar consulta para o pet)

Dúvidas? Escreva para petboxbrasil@petboxbrasil.com.br.

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